18/12/2009
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COPENHAGUE - COP15
NEOLOGISMO: “ESSES PESSOAL!!!”
Daqui uns dias saberemos no que deu a COP-15, a Conferencias das Partes para o Clima, em Copenhague. Ela é parte de (por isso mesmo pode repetir) Estocolmo/1972, Toronto/1988, Rio de Janeiro/1992, COP1-Berlim/1995, COP2- Genebra /1996, COP3-Kyoto/1997, COP4- Buenos Aires/1998. COP5- Haia/2000, COP6- Bonn/2001, COP7- Marrakesh/2001, COP8- Nova Deli/2002, COP9- Milão/2003, COP10- Buenos Aires/2004, COP11- Montreal/2005, COP12- Nairobi/2006, COP13- Bali/2007, COP 14- Poznan/2008 , COP15- Copenhague/2009.
Pelo deslocamento da procissão a COP15 servirá para marcar a COP16 na Cidade do México. Veja-se que a cronologia da humanidade discutindo efeito estufa e mudanças climáticas demonstra claramente o grau de dificuldade para se estabelecer um marco definitivo para as alterações climáticas que o planeta perigosamente vem experimentando. Não há duvida e nem incerteza quanto a elevação e diminuição de temperaturas planetárias, por eficientes que têm sido os cientistas e as tecnologias à serviço da “causa”.
O problema é político e a dificuldade é o petróleo por trás de todas as dificuldades que os lideres mundiais têm para acertar uma agenda definitiva. No final do século XIX veio a geopolítica do petróleo, dividindo o mundo em: paises produtores – paises estratégicos – países consumidores. Alterou-se, a partir daí, a matriz energética e a economia mundiais. As descobertas de petróleo fizeram grandes contingentes populacionais embarcarem no “sonho de riqueza a partir de um golpe de sorte”.
Por causa do petróleo o mundo entrou em guerra em 1914 e 1939, sabe-se hoje que a IIª Guerra Mundial foi travada com e pelo petróleo. Foi ele, o petróleo, a causa da derrota da Alemanha e Japão.
Agora em 2009 a imprensa permitiu a nós brasileiros perceber que o Brasil marcou presença na COP15 com a bandeira do desmatamento zero bem alta, porem de olho nos dividendos e poder do pré-sal. O presidente Lula levou no bolso a esperteza e a estratégia, juntas: esperteza - bradou em Copenhague que contribuir com bilhões de dólares para o Fundo Global de Conservação Climática é uma disposição brasileira, ao mesmo tempo que cobrou para o país recompensas com bem mais bilhões de dólares como paga ao desmatamento “zero”. Estratégia: mostrou ao mundo ali reunido que o Brasil é capaz de tirar o petróleo da camada pré-sal e amenizar a emissão de CO² com etanol e biodiesel.
O nosso presidente se colocou, assim, à altura da “babel” que foi a COP15/Copenhague.
Por outro lado, a seleta platéia que se juntou na Dinamarca sabe que não é tempo de decretar o fim do petróleo, isso conduziria a humanidade a inevitáveis gigantescas conseqüências econômicas e sociais para a nossa moderna civilização inteiramente dependente de combustíveis fósseis baratos e abundantes para manter funcionando seus enormes sistemas de transporte, produção de alimentos, processos químicos industriais, tratamento de água das grandes cidades, aquecimento doméstico, geração de eletricidade, produção de plásticos, defensivos agrícolas, suprimento médico-hospitalares, etc.
Copenhague não ignorou que petróleo é poder e riqueza enquanto que aquecimento global é uma perigosa realidade, mas também é perspectiva de mais e melhor consumo de petróleo para conforto da humanidade.
Notas: ¹-A Prefeitura de Macapá precisa de mais vigilância e domínio sobre a EMTU, não pode delegar a motoristas de guinchos o direito de punir o cidadão, de decidir sobre a propriedade alheia. ²-É preciso punir com rigor os desmandos do transito em Macapá, nisso concordamos e não nos colocamos à margem. Daí a farra... ³-O Prefeito Roberto precisa explicar o “recibo” que é entregue ao incauto cidadão vitima dos guinchos. Quanto daquele dinheiro entra nos cofres públicos e, para quê? Qual a relação da PMM com os donos desses guinchos? Quem fiscaliza a documentação dos veículos que são ou estão à serviço da EMTU? 4-Na TV Amapá o Diretor Jair Andrade reconheceu os abusos., parabéns a ele. Mas, e o meu dinheiro?
Escrito por César Bernardo de Souza às 18h27
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08/12/2009
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FUTEBOL
Bola de Seringa, histórias de vida
Nilson Montoril(*)
O homem dotado de ideal é um ser livre na condução de suas convicções. Ser idealista não é o mesmo que ser utopista. O idealista tem os pés assentados na realidade, e assim se mantém a despeito dos contratempos que lhes são interpostos. O utopista apenas sonha. Um homem sem ideal é como os objetos que o vento e a água ditam sua direção. Ser idealista é ser lutador, perseverante. O autor dessa obra, o médico Leonai Garcia, é vidrado em futebol e tem um profundo respeito pelos que praticaram essa emocionante modalidade esportiva. O futebol fez surgir e assim continua a fazê-lo, valorosos atletas que alcançaram a consagração em suas vilas, cidades, paises e universal. A maioria viveu tempo áureo como player, embora composta por humildes cidadãos fora dos gramados. No decorrer de um tempo regulamentar, eles emocionaram os amantes do futebol e por eles foram sagrados "cavaleiros do balão de couro".
Leonai Garcia não viu a maioria dos seus homenageados jogando futebol, mas tem referências a respeito de suas atuações. O nome escolhido como titulo do livro é bastante su-gestivo: "Bola de Seringa". Eu brinquei com bola de seringa na minha infância. Também chutei bexiga de porco, meias re-cheadas de pano e bagaço de laranja. No Reduto do Rio Furo Seco, propriedade que meu pai possuía na região das ilhas do Pará, a molecada fazia festa com as bolas de seringa. Aliás, desde o período colombiano os índios mexicanos costumavam extrair para vários fins o leite de uma árvore chamada ulequahuilt. Entre os anos de 1736 e 1744, La Condamine excursionou pelo Brasil e co-lheu junto aos índios da Amazônia, amostras de uma substância conhecida pela designação de borracha em português, de rubler em inglês e de caoutchouc em francês, levando-a para a França. Antes de 1750, diversas denominações nativas eram usadas: hevea, olli, kix e canchuc ou caoutchouc, esta última adotada pelos franceses. Diz-se que o vocabulário cauchuc deriva da língua peruana kexua, idioma dos incas, significando originalmente "mato que chora" ou "lágrima de árvore".
As substâncias identificadas como látex são o produto da seringa, a borracha-seringa. São elásticas e termoplásticas. As gomas não possuem as qualidades físico-químicas encontradas no látex. Há 12 espécies de seringueira nativas da Amazônia, da família Euforbiáceas e gênero/espécie de Hevea. A espécie mais produtiva é a Hevea brasilienses, M. Arg. As gomas são extraídas da Manihot (maniçoba), murupira, caucho, sorva, mangabeira, chicle, sapoti, balata, maçaranduba, guta, etc.
Artefatos preparados com substâncias elásticas sempre foram utilizados pela humanidade ao longo de sua história. Os objetos eram relativamente esféricos, sendo atirados com as mãos ou chutados. Faziam parte da diversão de crianças e jovens. Em nada se assemelhavam as bolas utilizadas na Inglaterra pelos alunos da Universidade de Cambridge durante o recreio de duas horas. Esse tempo era assim utilizado: meia hora para lanchar e uma hora e meia para praticarem um jogo que consistia em fazer a bola passar entre duas balisas. O terreno onde ocorria a brincadeira era mais curto de um lado, razão pela qual os players (jogadores) faziam a inversão de campo ao final de 45 minutos. O match (partida) tinha 90 minutos de duração com dois halfs-times (meios - tempos). O score era conseguido quando um dos atletas fazia a ball (bola) passar entre as goals (metas, balizas). Cada classe aristocrática da Universidade de Cambridge era composta por 10 alunos, a fim de que o rendimento escolar fosse o melhor possível. Para mantê-los em sala de aula, a instituição usava um bedel para cada classe. Mesmo no recreio os bedéis acompanhavam os estudantes, monitorando-os e evitando que eles cabulassem as aulas.
Como eram 10 alunos em cada classe e todos queriam atuar para marcar goals, o bedel era guindado a condição de goal-keeper. Assim, cada team atuava com onze elementos. Sempre que a bola passava entre as balizas os jogadores gritavam goal. Ao final da disputa era conferido o score, isto é, os pontos marcados. Pouco a pouco a brincadeira foi sendo regulamentada. Em 1857, surgia, na Inglaterra o primeiro clube de futebol não universitário, o Sheffild Clube. Não tardou para que outros clubes fossem criados e a novidade se espalhasse por outros paises. O futebol foi introduzido no Brasil no final da década de 1890, em São Paulo, por intermédio de Charles Miller que havia estudado em Londres. Charles Miller nasceu na capital paulista, mas seus pais eram ingleses. O primeiro campeonato inglês data de 1888, disputado por 12 equipes.
Na regulamentação do futebol ficou bem claro que um match (partida, porfia) tinha que ser disputado de maneira associativa, cujo propósito é fazer a bola entrar na meta (goal). Por isso, o esporte é conhecido como futeball association.
No Brasil, mesmo nos mais longínquos recantos, qualquer moleque que pra-ticasse futebol utilizava palavras inglesas no decorrer de uma pugna. Eu mesmo cansei de fazer uso dos termos mais conhecidos: Team (time, equipe), keeper (defensor da meta), goal (meta), player (jogador), score (pontos, bolas marcadas), placard (cartaz, letreiro que indicavam o score do jogo), half-time (meio-tempo), foul (falta) corner (canto, escanteio), hand (mão na bola), pênalti (castigo), revenge (aportuguesada para revanche, ou seja, vingança, desforra) scrath (improvisado, sinônimo de seleção), coach (preceptor, dirigente), off side (fora do lugar próprio, impedimento), coloured (cor, que pertence a uma raça de cor), back (defesa), forward (avançado, atacante), center forward (centro avançado ou centro avante), center half (meio do centro). A formação original de um team era: gool keeper; back direito e back esquerdo; half direito, center half e half esquerdo; cinco forwards. No Brasil, as posições ganharam outros nomes: goleiro, lateral direito e lateral esquerdo; asa médio direito, centro médio e asa médio esquerdo; ponta direita, meia direita, centro avante, meia esquerda e ponta esquerda. As jogadas eram armadas pelos três jogadores da intermediária ajudados pelo meia direito e pelo meia esquerdo. No livro "Bola de Seringa", constam as performances de vários players (jogadores) que se destacam no cenário futebolístico do Amapá. Segundo Venceslau do Espírito Santo, o popular 16, que jogou na Tuna Luso Brasileira e no Amapá Clube, além de ter sido treinador, "no mundo do futebol há os craques e os que correm atrás da bola". É mais uma opinião de torcedor porque o futebol é associativo e o preciosismo não ganha jogo. Os atletas que referendaram a iniciativa de Leonai Garcia têm seus méritos reconhecidos. Alguns mais técnicos, outros mais arrojados, todos importantes para os clubes que defenderam.
O termo seringa é de origem Grega Syrigx, que no latim passou a ser syringa. Designa a goma elástica extraída de várias espécies de Hevea. Também tem o significado de "canudo", uma desconcertante jogada a qual é submetido um jogador mais afoito. A obra que ora apresento agradou a muitos e desagradou a poucos. Esses também podem ser rotulados de seringa, no sentido de serem inoportunos e esquisitos. Vale o que está escrito. (10/03/2009).
"Artefatos preparados com substâncias elásticas sempre foram utilizados pela humanidade ao longo de sua história. Os objetos eram relativamente esféricos, sendo atirados com as mãos ou chutados. Faziam parte da diversão de crianças e jovens. Em nada se assemelhavam as bolas utilizadas na Inglaterra pelos alunos da Universidade de Cambridge durante o recreio de duas horas."
*-Professor. Historiador. Radialista. Presidente do Conselho Cultura do Estado do Amapá.
Escrito por César Bernardo de Souza às 15h17
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(Um conto gótico)
INSANIDADE: Um fragmento.
Esse infeliz é um parente nosso (disse Mrs. Ellen) que enlouqueceu alguns anos atrás.
Manifestei curiosidade pelos detalhes; ela contou a história, até com certa minúcia. Este é o resumo do caso.
Archibald era um jovem de personalidade vibrante. Sua sensibilidade tornou-se doentia pela leitura constante de romancistas e poetas que fazem do amor a base de suas ficções. Ainda muito jovem, apaixonou-se por uma mulher, cujo principal mérito era a beleza. Um novo objeto de paixão sucedeu a este rapidamente. Apesar de amar ardorosamente por algum tempo, percebia-se que suas afeições eram facilmente transferidas para um novo objeto e facilmente anuladas pela ausência. O amor, entretanto, era o seu elemento. Não existia sem amor. Suspirar, meditar, rascunhar elegias, era só o que fazia. Desde que houvesse alguém a quem dedicar sua devoção amorosa, era-lhe indiferente a real qualificação do ser amado. Seus amigos o persuadiram a se tornar aprendiz de um mercador na Irlanda. Sua situação exigia uma qualificação profissional, e ser mercador não lhe parecia tão detestável. Após algum tempo, no entanto, foi mandado de volta aos amigos, num surto de loucura. O ataque, a princípio furioso e terrível, evoluiu para um estado de inofensiva melancolia, que o deixou sombrio, silencioso e apático. Desconectado do mundo, raramente se comunicava, exceto para falar dos infortúnios e eventos que causaram seu desespero. Assim permaneceu por alguns anos, um exemplo dos efeitos fatais da dependência que certos livros, por distorcerem a natureza de maneira fantástica causam numa mente frágil.
Estas foram às circunstâncias que produziram efeito tão devastador. Mal se estabeleceu em Cork, apaixonou-se por uma jovem de família rica; entre a família da moça e aquela com a qual residia existia uma longa história de rivalidade e inimizade. Sua corte foi rejeitada pelos pais, que a queriam comprometida com outro; porém, foi obviamente aceita pela jovem, que imaginava ter, nesta questão, direito exclusivo de decidir. Os pais argumentaram através da força. Todo acesso à jovem foi negado. Como ordens e ameaças não surtiam efeito, foi condenada a rigoroso confinamento. Amigos persuadiram o rapaz a viajar para as Índias Ocidentais. Já que não era possível uma mudança nas determinações da família da jovem, esse expediente parecia o mais apropriado para desfazer o vínculo que, enquanto perdurasse, produziria apenas sofrimento para ambos. A persistência da jovem, no entanto, era heróica. Determinada a esperar, submeteu-se às coerções físicas impostas, porém manteve sua liberdade de pensamento. Mostrou-se insensível às ameaças e persuasões, negou cada reivindicação de obediência e ridicularizou as obrigações do dever filial. Defendeu a correção de sua escolha e afirmou sua independência como ser racional. A família, exauridos os recursos óbvios, recorreu a meios mais cruéis. O plano arquitetado pretendia induzi-la a pensar que Archibald era falso, que se interessara por outra mulher e que seu casamento estava próximo. A jovem era tão sagaz quanto corajosa, porém esse ardil insidioso minou sua resistência. Foi ludibriada, como esperavam, e sua coragem a abandonou; entretanto, a decisão que tomou foi evidentemente diversa do esperado pela família como resultado do plano. O infortúnio alterou essa criatura de extraordinárias qualidades. A injustiça se dissemina e torna miserável quem a sofre. A jovem cedeu ao estratagema e fingiu submeter-se aos desejos da família. Preparativos foram feitos para a cerimônia do casamento. Na manhã do dia marcado, foi encontrada morta em sua casa.
É surpreendente que o fato inventado pelos pais para convencê-la tenha realmente acontecido. A ausência havia produzido o efeito costumeiro sobre o apaixonado. Ele encontrou outro amor, que rapidamente suplantou o anterior. Sua imaginação anestesiou sua consciência. Ele depositou o coração aos pés da nova dama; o presente foi aceito e igualmente retribuído. Foi marcado o dia que ratificaria essa troca no altar. Antes de chegar o dia, entretanto, chegou a notícia do desatino da jovem irlandesa e de sua morte voluntária, vitimada pelo amor inconstante de Archibald. Ele não sabia quem poderia tê-la avisado; porém, como sua inconstância era real, supôs que ela realmente soubesse a verdade. O efeito dessa notícia pode ser facilmente imaginado. Ele rompeu seu presente vínculo e embarcou imediatamente para a Europa. Chegando a Cork, buscou sem demora uma entrevista com a família da jovem. Ele pretendia convencê-los a concordar com uma proposta extremamente singular; que o túmulo da jovem fosse aberto, para que pudesse despedir-se dela. Sua insistência era frenética e finalmente teve sucesso.
Meia-noite foi a hora escolhida para o solene encontro; o túmulo foi aberto na presença do desesperado amante e de alguns familiares da falecida. Ao descerem as escadas, uma visão terrível os esperava. Não encontraram a infeliz jovem envolta em branca mortalha, em decente repouso no caixão, estava nua, caída aos pés da escada, com sinais indubitáveis de ter morrido uma segunda vez, vítima do terror e da fome. Não surpreende que essa cena provocasse no desgraçado amante um acesso de loucura. Arrastado para fora do túmulo, foi entregue aos cuidados dos amigos.
Este é o resumo da história contada por Mrs. E... Omitidos apenas alguns detalhes sem importância.
E isto é tudo? Perguntei eu. Qual é sua condição atual?
O marido assumiu o relato. Esses, disse ele, são os fatos tais como foram relatados por Archibald. Esses eram os assuntos que emergiam em seus delírios e esse o tema eterno de sua fala mais coerente, quando a crise de loucura começou a diminuir. Como digo, essa é a narrativa dele; porém, em minha opinião, tudo existiu apenas em sua imaginação, nenhuma das circunstâncias descritas por minha esposa é real; a coisa inteira é um sonho, vista por ele como realidade inquestionável, mas sem embasamento na verdade. No período em que teriam acontecido os eventos, ele trabalhava na nova profissão, que odiava. Costumava vagar, nos momentos de lazer, por bosques românticos, acompanhado de seus autores favoritos e entregue aos devaneios de sua fantasia. Voltava de uma dessas excursões, mais prolongada que as outras, quando os primeiros sinais de insanidade foram observados. Os sintomas cresceram rapidamente, e as conseqüências são essas que já conhece.
Realmente, disse eu, você tem boas razões para duvidar da veracidade dessa história. Romeu, que lembra Archibald em alguns detalhes, representa o homem que enlouquece por amor, porém seu parente supera Romeu em extravagância. Além disso, minha querida senhora credita a uma estranha causa a loucura de seu parente. Não consigo perceber como um tipo de leitura pôde levar uma mente a se extraviar dessa forma.
Nisso, disse Mr. Ellen, concordo com você. Acho que Sally se engana ao imaginar que livros pudessem ter causado uma forma tão peculiar de insanidade a seu primo.
Bem, disse a senhora, posso estar errada em eminha teoria, mas quanto aos fatos... Tive várias oportunidades de examinar a veracidade dos fatos relativos ao meu pobre primo, e não tenho dúvida alguma sobre eles.
Autoria de Charles Brockden Brown - Traduzido e adaptado por Maria Cristina Bessa Lima.
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
"Estas foram às circunstâncias que produziram efeito tão devastador. Mal se estabeleceu em Cork, apaixonou-se por uma jovem de família rica; entre a família da moça e aquela com a qual residia existia uma longa história de rivalidade e inimizade. Sua corte foi rejeitada pelos pais, que a queriam comprometida com outro; porém, foi obviamente aceita pela jovem, que imaginava ter, nesta questão, direito exclusivo de decidir. Os pais argumentaram através da força. Todo acesso à jovem foi negado. Como ordens e ameaças não surtiam efeito, foi condenada a rigoroso confinamento. Amigos persuadiram o rapaz a viajar para as Índias Ocidentais. Já que não era possível uma mudança nas determinações da família da jovem, esse expediente parecia o mais apropriado para desfazer o vínculo que, enquanto perdurasse, produziria apenas sofrimento para ambos. A persistência da jovem, no entanto, era heróica. Determinada a esperar, submeteu-se às coerções físicas impostas, porém manteve sua liberdade de pensamento. Mostrou-se insensível às ameaças e persuasões, negou cada reivindicação de obediência e ridicularizou as obrigações do dever filial. Defendeu a correção de sua escolha e afirmou sua independência como ser racional."
Escrito por César Bernardo de Souza às 15h15
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07/12/2009
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05 DEZEMBRO - DIÁRI DO AMAPÁ
COMO NUVENS.
Anteontem José Serra e Aécio Neves ocuparam o horário eleitoral gratuito na televisão com o objetivo único de campanha eleitoral 2010. Para muitos “observadores” o que se viu na tela e por trás das câmeras foi o esboço mal feito do que será a campanha eleitoral de um partido político que tem que se apresentar como “salvador da pátria”, já que de mudança não pode falar.
A aparição de ambos os pré-candidatos tucanos pareceu um esboço mal feito de campanha eleitoral porque confirmou a indefinição sobre qual deles será o candidato principal, ou pior ainda: ambos são os candidatos do PSDB – chapa puro-sangue.
Em mãos do PSDB a unilateralidade da chapa é tão somente retomar a tese do Ministro Sérgio Mota, das Comunicações (Serjão), segundo a qual é de 25 anos corridos o projeto de poder dos “sociais democratas”. Temporalmente o “projeto vinte e cinco anos” é um “chavismo” à brasileira.
José Serra adotou um discurso positivista no programa de televisão de anteontem, algo que realmente salvaria a pátria se pudesse ser realidade nacional. Contudo, outra vez José Serra conseguiu mostrar-se mais paulista que brasileiro gravando suas imagens em ambientes requintados de São Paulo como se tudo lá e no Brasil tivesse se transformado em referencias de sua gestão no Ministério da Saúde. Que foi boa, reconheça-se.
José e Aécio não puderam falar em mudança simplesmente porque durante os últimos sete anos desgastou-se o PSDB acusando o PT e Lula de “continuísmo” ao que teria sido o governo FHC. Anos perdidos pelos tucanos reconhecendo os acertos de Lula como “roubados” a Fernando Henrique. Agora é mudar o quê: a “receita” deles executada por Lula?
Pelo que se vê, aqui no Amapá sopra-se no mesmo diapasão: tudo, todos e todas convergiram sete anos para o projeto de governo do PDT, muitíssimo bem interpretado pelo governador Waldez Góes. Como, agora, insurgir-se contra o “projeto de poder” do grupão?
Insurreição é, então, abrir o flanco para mais uma eleição plebiscitária entre Capi e os “outros”. Logo, atenção para o espelho grande da sala que pode já estar refletindo a realidade de que não é líder popular nem Pedro Paulo nem Jorge Amanajás nem Lucas Barreto. Vem aí a terceira via ou um ou cada um dos três conta escorar na liderança de Capiberibe para ganhar a chave do Setentrião? O Dep. Ulysses Guimarães dizia sempre que a saliva é o combustível do político.
Por ora, Lula, Fernando Henrique e Waldez são lideres de um processo pré-eleitoral que vai findando 2009 de um jeito, mas que vai romper 2010 de outro... como nuvem.
Notas: ¹-Falando sozinho de novo vovô? Perguntou-me Leleca ouvindo-me quase às gargalhadas no banheiro. Realmente não me contive ouvindo o “carnavalesco” Luiz Melo lançando no ar o seu grito de guerra aos brincantes do Rolará, cujo tema 2010 parece ser o Programa Luiz Melo Entrevista. Gritava Luiz Melo animando a turma: DESEMBUCHA!!!
Olho no Melo, heim presidente Vicente Cruz! Alô Nação Negra – Chegou a hora – Atenção meu povo da arquitibancada... só tem dado para vice campeonato. Olho no Melo, heim!? ²-Feliz Natal à família amapaense. ³-Feliz Natal aos colaboradores da crechinha do Zerão: valeu mais uma ano de generosidade.
Escrito por César Bernardo de Souza às 13h59
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30/11/2009
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29 NOV. JOSÉ SARNEY
Social e caoscracia
José Sarney
Da equipe de articulistas
Li alguma vez em Bobbio - o grande cientista político do século 20 - que ele não sabia exatamente o que era social-democracia. Para os bolchevistas era anterior ao comunismo. Depois seria uma espécie de terceira via, uma alternativa ao comunismo. Desaparecendo essas circunstâncias históricas, e com o fim das ideologias, a social-democracia passou a ser assim uma espécie de pau d'arco roxo, aquele remédio que servia para tudo, independentemente do diagnóstico, e consistia em terapia milagrosa. Marco Maciel, citando sua preocupação em pensar com antecedência nas nossas datas históricas redondas, no caso os 200 anos da Independência, 2022, recorda Drummond, que reclamava que ninguém mais se dizia republicano, e sim democrata. Eu nunca encontrei um social-democrata que me dissesse: "Joaquim Maria Francisco de Oliveira, social-democrata". A distância do que dizia Bobbio para a realidade atual é que a social-democracia, sem existir, é marca registrada de todos. A Europa se orgulha de ser social-democrata, a Rússia vive ainda a sua crise de identidade e a América do Sul não é nada, incluindo nessa definição o socia-lismo bolivariano de Chávez, no mínimo mais para surrealismo do que para política. Outra coisa que ninguém sabe é o que é o peronismo. E, contudo, ele já resiste a meio século e todo dia nasce peronista na Argentina. Fernando Henrique, há alguns anos, fugindo da saraivada dos ataques de que se tornara neoli-beral, saiu, brilhantemente, com esta afirmação: "Nada disso, eu sou neossocial". E haja como decifrar esse selo. Tomei a pachorra de procurar a palavra social nas dezenas de siglas partidárias brasileiras, e em quase todas está presente, explícita ou oculta. Lembrei-me de uma conversa que tive com o ge-neral Golbery do Couto e Silva quando falamos em abertura, à procura de conceitos. Disse-lhe que poderíamos resumir na "volta ao Estado social de Direito". Ele me contestou: "E o que é isso, social de direito?". Tentei explicar-lhe que o Estado de Direito era o império da lei, mas que, com o avanço das ideologias -e naquele tempo elas estavam com tudo-, tínhamos que ter leis que protegessem o social, privilegiasse os mais pobres, uma ingerência do Estado contra as desigualdades. Ele me disse que isso era muito sofisticado, com uma resposta precisa: "Resuma: welfare state?". "OK. Sim". Golbery voltou: "Então para que complicar com esse direito no meio?". Hoje, tudo mudou. A América Latina se move ou se contorce? Bolívia, Equador, Paraguai, Honduras, Colômbia, Venezuela estão em busca de quê? Social-democracia, caoscracia ou sobrevivência? Só ressuscitando Bobbio para dizer.
José Sarney
Ex-presidente do Brasil, senador pelo PMDB-AP, presidente do Congresso Nacional e acadêmico da Academia Brasileia de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa
E-mail: sarney@senador.gov.br
Escrito por César Bernardo de Souza às 20h28
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28/11/2009
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28DE NOV. DIARIO DO AMAPÁ
Território de paz
César bernardo de Souza
Da equipe de articulistas
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) está de roupa nova, como aliás convém ao processo educacional. Está fácil dizermos que o ano de 2009 foi bom para a Educação brasileira porque o Congresso Nacional olhou para ela, percebendo-a carente de " novos trajes".
Nesses termos, a Escola começará o ano de 2010 fortalecida como "território de paz", na expectativa de efetivo combate à violência intra-muro. Incorpora-se, então, nos princípios do ensino a "superação de todas as formas de violência, internas e externas à escola, na pers-pectiva de construção de uma cultura de paz".
Mais do que isso, inclui pais e alunos na elaboração do projeto pedagógico da escola, além de reservar efetivamente um terço da carga horária dos profissionais da educação no planejamento. Não mais apenas os professores, mas os profissionais da educação: é novo!
Realmente renovada a LDB manda que os estabele-cimentos de ensino divulguem as listas de material escolar 45 dias antes da data final para matrícula. Eis um cuidado a muito devido aos pais, ricos ou remediados.
Ela vem disciplinando o trabalho de crianças e adolescentes como atores e modelos, segundo o texto aprovado a autorização concedida pelos detentores do poder familiar deixará de ser válida se for descumprida a freqüência escolar mínima estabelecida em lei.
Olha com mais suavidade o professor na medida em que dá prioridade a tais ícones da educação no recebimento de devolução do Imposto de Renda de Pessoa Física. Pelo menos isso, já que resolver a questão salarial do professorado não é tarefa para governos comuns como os que temos tido.
A nova LDB finalmente inovou ao encarar de frente o processo de revalidação de diplomas expedidos a brasileiros por universidades estrangeiras, unificando em seis meses o prazo para que as universidades se pronunciem sobre processos de revalidação e reconhecimento desses diplomas.
Tudo isso converge para a defesa da gestão democrática do ensino através da valorização dos conselhos escolares ou órgãos deliberativos equivalentes, inclusive prevendo entre os profissionais da educação atuantes na escola (o retorno?), a figura de um encarregado da disciplina dos estudantes fora das salas de aula. Esses inspetores de alunos tratarão de problemas da violência escolar e farão a mediação dos conflitos internos e externos.
Aí está um resultado muito positivo de parte dos trabalhos dos congressistas nacionais no ano de 2009: a Educação tem que ser prioridade.
Contudo paira no ar algo inquietante - se não conflitante - com a Escola Território de Paz: O Estatuto da Criança e do Adolescente -ECA . Porque ainda que não determine, deriva dele a interpretação de intocabilidade e impunidade que se vem dando ao molecório que a escola luta para tratar como educandos, pelo menos dentro dos seus muros.
Notas: ¹-Dia 5 próximo a Igreja de Guadalupe comemora 15 anos de evangelização da comunidade do Bairro Jardim Marco Zero. Dia 13 encerra a programação com festa comunitária. ²-Waldez nada disse. Jorge Amanajás disse que não. Mas está claro que a derrubada de vetos não sinaliza "harmonia" entre os dois poderes, embora seja missão do Legislativo fiscalizar o Executivo. ³-Saúde ao Senador José Sarney. 4-Parabéns à Profª. Nair Miranda pelos seus belos 85 anos. Tomei vinho com ela.
César Bernardo de Souza
Articulista
E-mail: cesarbernardosouza@bol.com.br
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COPENHAGUE - COP15
NEOLOGISMO: “ESSES PESSOAL!!!”
Daqui uns dias saberemos no que deu a COP-15, a Conferencias das Partes para o Clima, em Copenhague. Ela é parte de (por isso mesmo pode repetir) Estocolmo/1972, Toronto/1988, Rio de Janeiro/1992, COP1-Berlim/1995, COP2- Genebra /1996, COP3-Kyoto/1997, COP4- Buenos Aires/1998. COP5- Haia/2000, COP6- Bonn/2001, COP7- Marrakesh/2001, COP8- Nova Deli/2002, COP9- Milão/2003, COP10- Buenos Aires/2004, COP11- Montreal/2005, COP12- Nairobi/2006, COP13- Bali/2007, COP 14- Poznan/2008 , COP15- Copenhague/2009.
Pelo deslocamento da procissão a COP15 servirá para marcar a COP16 na Cidade do México. Veja-se que a cronologia da humanidade discutindo efeito estufa e mudanças climáticas demonstra claramente o grau de dificuldade para se estabelecer um marco definitivo para as alterações climáticas que o planeta perigosamente vem experimentando. Não há duvida e nem incerteza quanto a elevação e diminuição de temperaturas planetárias, por eficientes que têm sido os cientistas e as tecnologias à serviço da “causa”.
O problema é político e a dificuldade é o petróleo por trás de todas as dificuldades que os lideres mundiais têm para acertar uma agenda definitiva. No final do século XIX veio a geopolítica do petróleo, dividindo o mundo em: paises produtores – paises estratégicos – países consumidores. Alterou-se, a partir daí, a matriz energética e a economia mundiais. As descobertas de petróleo fizeram grandes contingentes populacionais embarcarem no “sonho de riqueza a partir de um golpe de sorte”.
Por causa do petróleo o mundo entrou em guerra em 1914 e 1939, sabe-se hoje que a IIª Guerra Mundial foi travada com e pelo petróleo. Foi ele, o petróleo, a causa da derrota da Alemanha e Japão.
Agora em 2009 a imprensa permitiu a nós brasileiros perceber que o Brasil marcou presença na COP15 com a bandeira do desmatamento zero bem alta, porem de olho nos dividendos e poder do pré-sal. O presidente Lula levou no bolso a esperteza e a estratégia, juntas: esperteza - bradou em Copenhague que contribuir com bilhões de dólares para o Fundo Global de Conservação Climática é uma disposição brasileira, ao mesmo tempo que cobrou para o país recompensas com bem mais bilhões de dólares como paga ao desmatamento “zero”. Estratégia: mostrou ao mundo ali reunido que o Brasil é capaz de tirar o petróleo da camada pré-sal e amenizar a emissão de CO² com etanol e biodiesel.
O nosso presidente se colocou, assim, à altura da “babel” que foi a COP15/Copenhague.
Por outro lado, a seleta platéia que se juntou na Dinamarca sabe que não é tempo de decretar o fim do petróleo, isso conduziria a humanidade a inevitáveis gigantescas conseqüências econômicas e sociais para a nossa moderna civilização inteiramente dependente de combustíveis fósseis baratos e abundantes para manter funcionando seus enormes sistemas de transporte, produção de alimentos, processos químicos industriais, tratamento de água das grandes cidades, aquecimento doméstico, geração de eletricidade, produção de plásticos, defensivos agrícolas, suprimento médico-hospitalares, etc.
Copenhague não ignorou que petróleo é poder e riqueza enquanto que aquecimento global é uma perigosa realidade, mas também é perspectiva de mais e melhor consumo de petróleo para conforto da humanidade.
Notas: ¹-A Prefeitura de Macapá precisa de mais vigilância e domínio sobre a EMTU, não pode delegar a motoristas de guinchos o direito de punir o cidadão, de decidir sobre a propriedade alheia. ²-É preciso punir com rigor os desmandos do transito em Macapá, nisso concordamos e não nos colocamos à margem. Daí a farra... ³-O Prefeito Roberto precisa explicar o “recibo” que é entregue ao incauto cidadão vitima dos guinchos. Quanto daquele dinheiro entra nos cofres públicos e, para quê? Qual a relação da PMM com os donos desses guinchos? Quem fiscaliza a documentação dos veículos que são ou estão à serviço da EMTU? 4-Na TV Amapá o Diretor Jair Andrade reconheceu os abusos., parabéns a ele. Mas, e o meu dinheiro?
Escrito por César Bernardo de Souza às 18h27
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08/12/2009
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FUTEBOL
Bola de Seringa, histórias de vida
Nilson Montoril(*)
O homem dotado de ideal é um ser livre na condução de suas convicções. Ser idealista não é o mesmo que ser utopista. O idealista tem os pés assentados na realidade, e assim se mantém a despeito dos contratempos que lhes são interpostos. O utopista apenas sonha. Um homem sem ideal é como os objetos que o vento e a água ditam sua direção. Ser idealista é ser lutador, perseverante. O autor dessa obra, o médico Leonai Garcia, é vidrado em futebol e tem um profundo respeito pelos que praticaram essa emocionante modalidade esportiva. O futebol fez surgir e assim continua a fazê-lo, valorosos atletas que alcançaram a consagração em suas vilas, cidades, paises e universal. A maioria viveu tempo áureo como player, embora composta por humildes cidadãos fora dos gramados. No decorrer de um tempo regulamentar, eles emocionaram os amantes do futebol e por eles foram sagrados "cavaleiros do balão de couro".
Leonai Garcia não viu a maioria dos seus homenageados jogando futebol, mas tem referências a respeito de suas atuações. O nome escolhido como titulo do livro é bastante su-gestivo: "Bola de Seringa". Eu brinquei com bola de seringa na minha infância. Também chutei bexiga de porco, meias re-cheadas de pano e bagaço de laranja. No Reduto do Rio Furo Seco, propriedade que meu pai possuía na região das ilhas do Pará, a molecada fazia festa com as bolas de seringa. Aliás, desde o período colombiano os índios mexicanos costumavam extrair para vários fins o leite de uma árvore chamada ulequahuilt. Entre os anos de 1736 e 1744, La Condamine excursionou pelo Brasil e co-lheu junto aos índios da Amazônia, amostras de uma substância conhecida pela designação de borracha em português, de rubler em inglês e de caoutchouc em francês, levando-a para a França. Antes de 1750, diversas denominações nativas eram usadas: hevea, olli, kix e canchuc ou caoutchouc, esta última adotada pelos franceses. Diz-se que o vocabulário cauchuc deriva da língua peruana kexua, idioma dos incas, significando originalmente "mato que chora" ou "lágrima de árvore".
As substâncias identificadas como látex são o produto da seringa, a borracha-seringa. São elásticas e termoplásticas. As gomas não possuem as qualidades físico-químicas encontradas no látex. Há 12 espécies de seringueira nativas da Amazônia, da família Euforbiáceas e gênero/espécie de Hevea. A espécie mais produtiva é a Hevea brasilienses, M. Arg. As gomas são extraídas da Manihot (maniçoba), murupira, caucho, sorva, mangabeira, chicle, sapoti, balata, maçaranduba, guta, etc.
Artefatos preparados com substâncias elásticas sempre foram utilizados pela humanidade ao longo de sua história. Os objetos eram relativamente esféricos, sendo atirados com as mãos ou chutados. Faziam parte da diversão de crianças e jovens. Em nada se assemelhavam as bolas utilizadas na Inglaterra pelos alunos da Universidade de Cambridge durante o recreio de duas horas. Esse tempo era assim utilizado: meia hora para lanchar e uma hora e meia para praticarem um jogo que consistia em fazer a bola passar entre duas balisas. O terreno onde ocorria a brincadeira era mais curto de um lado, razão pela qual os players (jogadores) faziam a inversão de campo ao final de 45 minutos. O match (partida) tinha 90 minutos de duração com dois halfs-times (meios - tempos). O score era conseguido quando um dos atletas fazia a ball (bola) passar entre as goals (metas, balizas). Cada classe aristocrática da Universidade de Cambridge era composta por 10 alunos, a fim de que o rendimento escolar fosse o melhor possível. Para mantê-los em sala de aula, a instituição usava um bedel para cada classe. Mesmo no recreio os bedéis acompanhavam os estudantes, monitorando-os e evitando que eles cabulassem as aulas.
Como eram 10 alunos em cada classe e todos queriam atuar para marcar goals, o bedel era guindado a condição de goal-keeper. Assim, cada team atuava com onze elementos. Sempre que a bola passava entre as balizas os jogadores gritavam goal. Ao final da disputa era conferido o score, isto é, os pontos marcados. Pouco a pouco a brincadeira foi sendo regulamentada. Em 1857, surgia, na Inglaterra o primeiro clube de futebol não universitário, o Sheffild Clube. Não tardou para que outros clubes fossem criados e a novidade se espalhasse por outros paises. O futebol foi introduzido no Brasil no final da década de 1890, em São Paulo, por intermédio de Charles Miller que havia estudado em Londres. Charles Miller nasceu na capital paulista, mas seus pais eram ingleses. O primeiro campeonato inglês data de 1888, disputado por 12 equipes.
Na regulamentação do futebol ficou bem claro que um match (partida, porfia) tinha que ser disputado de maneira associativa, cujo propósito é fazer a bola entrar na meta (goal). Por isso, o esporte é conhecido como futeball association.
No Brasil, mesmo nos mais longínquos recantos, qualquer moleque que pra-ticasse futebol utilizava palavras inglesas no decorrer de uma pugna. Eu mesmo cansei de fazer uso dos termos mais conhecidos: Team (time, equipe), keeper (defensor da meta), goal (meta), player (jogador), score (pontos, bolas marcadas), placard (cartaz, letreiro que indicavam o score do jogo), half-time (meio-tempo), foul (falta) corner (canto, escanteio), hand (mão na bola), pênalti (castigo), revenge (aportuguesada para revanche, ou seja, vingança, desforra) scrath (improvisado, sinônimo de seleção), coach (preceptor, dirigente), off side (fora do lugar próprio, impedimento), coloured (cor, que pertence a uma raça de cor), back (defesa), forward (avançado, atacante), center forward (centro avançado ou centro avante), center half (meio do centro). A formação original de um team era: gool keeper; back direito e back esquerdo; half direito, center half e half esquerdo; cinco forwards. No Brasil, as posições ganharam outros nomes: goleiro, lateral direito e lateral esquerdo; asa médio direito, centro médio e asa médio esquerdo; ponta direita, meia direita, centro avante, meia esquerda e ponta esquerda. As jogadas eram armadas pelos três jogadores da intermediária ajudados pelo meia direito e pelo meia esquerdo. No livro "Bola de Seringa", constam as performances de vários players (jogadores) que se destacam no cenário futebolístico do Amapá. Segundo Venceslau do Espírito Santo, o popular 16, que jogou na Tuna Luso Brasileira e no Amapá Clube, além de ter sido treinador, "no mundo do futebol há os craques e os que correm atrás da bola". É mais uma opinião de torcedor porque o futebol é associativo e o preciosismo não ganha jogo. Os atletas que referendaram a iniciativa de Leonai Garcia têm seus méritos reconhecidos. Alguns mais técnicos, outros mais arrojados, todos importantes para os clubes que defenderam.
O termo seringa é de origem Grega Syrigx, que no latim passou a ser syringa. Designa a goma elástica extraída de várias espécies de Hevea. Também tem o significado de "canudo", uma desconcertante jogada a qual é submetido um jogador mais afoito. A obra que ora apresento agradou a muitos e desagradou a poucos. Esses também podem ser rotulados de seringa, no sentido de serem inoportunos e esquisitos. Vale o que está escrito. (10/03/2009).
"Artefatos preparados com substâncias elásticas sempre foram utilizados pela humanidade ao longo de sua história. Os objetos eram relativamente esféricos, sendo atirados com as mãos ou chutados. Faziam parte da diversão de crianças e jovens. Em nada se assemelhavam as bolas utilizadas na Inglaterra pelos alunos da Universidade de Cambridge durante o recreio de duas horas."
*-Professor. Historiador. Radialista. Presidente do Conselho Cultura do Estado do Amapá.
Escrito por César Bernardo de Souza às 15h17
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(Um conto gótico)
INSANIDADE: Um fragmento.
Esse infeliz é um parente nosso (disse Mrs. Ellen) que enlouqueceu alguns anos atrás.
Manifestei curiosidade pelos detalhes; ela contou a história, até com certa minúcia. Este é o resumo do caso.
Archibald era um jovem de personalidade vibrante. Sua sensibilidade tornou-se doentia pela leitura constante de romancistas e poetas que fazem do amor a base de suas ficções. Ainda muito jovem, apaixonou-se por uma mulher, cujo principal mérito era a beleza. Um novo objeto de paixão sucedeu a este rapidamente. Apesar de amar ardorosamente por algum tempo, percebia-se que suas afeições eram facilmente transferidas para um novo objeto e facilmente anuladas pela ausência. O amor, entretanto, era o seu elemento. Não existia sem amor. Suspirar, meditar, rascunhar elegias, era só o que fazia. Desde que houvesse alguém a quem dedicar sua devoção amorosa, era-lhe indiferente a real qualificação do ser amado. Seus amigos o persuadiram a se tornar aprendiz de um mercador na Irlanda. Sua situação exigia uma qualificação profissional, e ser mercador não lhe parecia tão detestável. Após algum tempo, no entanto, foi mandado de volta aos amigos, num surto de loucura. O ataque, a princípio furioso e terrível, evoluiu para um estado de inofensiva melancolia, que o deixou sombrio, silencioso e apático. Desconectado do mundo, raramente se comunicava, exceto para falar dos infortúnios e eventos que causaram seu desespero. Assim permaneceu por alguns anos, um exemplo dos efeitos fatais da dependência que certos livros, por distorcerem a natureza de maneira fantástica causam numa mente frágil.
Estas foram às circunstâncias que produziram efeito tão devastador. Mal se estabeleceu em Cork, apaixonou-se por uma jovem de família rica; entre a família da moça e aquela com a qual residia existia uma longa história de rivalidade e inimizade. Sua corte foi rejeitada pelos pais, que a queriam comprometida com outro; porém, foi obviamente aceita pela jovem, que imaginava ter, nesta questão, direito exclusivo de decidir. Os pais argumentaram através da força. Todo acesso à jovem foi negado. Como ordens e ameaças não surtiam efeito, foi condenada a rigoroso confinamento. Amigos persuadiram o rapaz a viajar para as Índias Ocidentais. Já que não era possível uma mudança nas determinações da família da jovem, esse expediente parecia o mais apropriado para desfazer o vínculo que, enquanto perdurasse, produziria apenas sofrimento para ambos. A persistência da jovem, no entanto, era heróica. Determinada a esperar, submeteu-se às coerções físicas impostas, porém manteve sua liberdade de pensamento. Mostrou-se insensível às ameaças e persuasões, negou cada reivindicação de obediência e ridicularizou as obrigações do dever filial. Defendeu a correção de sua escolha e afirmou sua independência como ser racional. A família, exauridos os recursos óbvios, recorreu a meios mais cruéis. O plano arquitetado pretendia induzi-la a pensar que Archibald era falso, que se interessara por outra mulher e que seu casamento estava próximo. A jovem era tão sagaz quanto corajosa, porém esse ardil insidioso minou sua resistência. Foi ludibriada, como esperavam, e sua coragem a abandonou; entretanto, a decisão que tomou foi evidentemente diversa do esperado pela família como resultado do plano. O infortúnio alterou essa criatura de extraordinárias qualidades. A injustiça se dissemina e torna miserável quem a sofre. A jovem cedeu ao estratagema e fingiu submeter-se aos desejos da família. Preparativos foram feitos para a cerimônia do casamento. Na manhã do dia marcado, foi encontrada morta em sua casa.
É surpreendente que o fato inventado pelos pais para convencê-la tenha realmente acontecido. A ausência havia produzido o efeito costumeiro sobre o apaixonado. Ele encontrou outro amor, que rapidamente suplantou o anterior. Sua imaginação anestesiou sua consciência. Ele depositou o coração aos pés da nova dama; o presente foi aceito e igualmente retribuído. Foi marcado o dia que ratificaria essa troca no altar. Antes de chegar o dia, entretanto, chegou a notícia do desatino da jovem irlandesa e de sua morte voluntária, vitimada pelo amor inconstante de Archibald. Ele não sabia quem poderia tê-la avisado; porém, como sua inconstância era real, supôs que ela realmente soubesse a verdade. O efeito dessa notícia pode ser facilmente imaginado. Ele rompeu seu presente vínculo e embarcou imediatamente para a Europa. Chegando a Cork, buscou sem demora uma entrevista com a família da jovem. Ele pretendia convencê-los a concordar com uma proposta extremamente singular; que o túmulo da jovem fosse aberto, para que pudesse despedir-se dela. Sua insistência era frenética e finalmente teve sucesso.
Meia-noite foi a hora escolhida para o solene encontro; o túmulo foi aberto na presença do desesperado amante e de alguns familiares da falecida. Ao descerem as escadas, uma visão terrível os esperava. Não encontraram a infeliz jovem envolta em branca mortalha, em decente repouso no caixão, estava nua, caída aos pés da escada, com sinais indubitáveis de ter morrido uma segunda vez, vítima do terror e da fome. Não surpreende que essa cena provocasse no desgraçado amante um acesso de loucura. Arrastado para fora do túmulo, foi entregue aos cuidados dos amigos.
Este é o resumo da história contada por Mrs. E... Omitidos apenas alguns detalhes sem importância.
E isto é tudo? Perguntei eu. Qual é sua condição atual?
O marido assumiu o relato. Esses, disse ele, são os fatos tais como foram relatados por Archibald. Esses eram os assuntos que emergiam em seus delírios e esse o tema eterno de sua fala mais coerente, quando a crise de loucura começou a diminuir. Como digo, essa é a narrativa dele; porém, em minha opinião, tudo existiu apenas em sua imaginação, nenhuma das circunstâncias descritas por minha esposa é real; a coisa inteira é um sonho, vista por ele como realidade inquestionável, mas sem embasamento na verdade. No período em que teriam acontecido os eventos, ele trabalhava na nova profissão, que odiava. Costumava vagar, nos momentos de lazer, por bosques românticos, acompanhado de seus autores favoritos e entregue aos devaneios de sua fantasia. Voltava de uma dessas excursões, mais prolongada que as outras, quando os primeiros sinais de insanidade foram observados. Os sintomas cresceram rapidamente, e as conseqüências são essas que já conhece.
Realmente, disse eu, você tem boas razões para duvidar da veracidade dessa história. Romeu, que lembra Archibald em alguns detalhes, representa o homem que enlouquece por amor, porém seu parente supera Romeu em extravagância. Além disso, minha querida senhora credita a uma estranha causa a loucura de seu parente. Não consigo perceber como um tipo de leitura pôde levar uma mente a se extraviar dessa forma.
Nisso, disse Mr. Ellen, concordo com você. Acho que Sally se engana ao imaginar que livros pudessem ter causado uma forma tão peculiar de insanidade a seu primo.
Bem, disse a senhora, posso estar errada em eminha teoria, mas quanto aos fatos... Tive várias oportunidades de examinar a veracidade dos fatos relativos ao meu pobre primo, e não tenho dúvida alguma sobre eles.
Autoria de Charles Brockden Brown - Traduzido e adaptado por Maria Cristina Bessa Lima.
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
"Estas foram às circunstâncias que produziram efeito tão devastador. Mal se estabeleceu em Cork, apaixonou-se por uma jovem de família rica; entre a família da moça e aquela com a qual residia existia uma longa história de rivalidade e inimizade. Sua corte foi rejeitada pelos pais, que a queriam comprometida com outro; porém, foi obviamente aceita pela jovem, que imaginava ter, nesta questão, direito exclusivo de decidir. Os pais argumentaram através da força. Todo acesso à jovem foi negado. Como ordens e ameaças não surtiam efeito, foi condenada a rigoroso confinamento. Amigos persuadiram o rapaz a viajar para as Índias Ocidentais. Já que não era possível uma mudança nas determinações da família da jovem, esse expediente parecia o mais apropriado para desfazer o vínculo que, enquanto perdurasse, produziria apenas sofrimento para ambos. A persistência da jovem, no entanto, era heróica. Determinada a esperar, submeteu-se às coerções físicas impostas, porém manteve sua liberdade de pensamento. Mostrou-se insensível às ameaças e persuasões, negou cada reivindicação de obediência e ridicularizou as obrigações do dever filial. Defendeu a correção de sua escolha e afirmou sua independência como ser racional."
Escrito por César Bernardo de Souza às 15h15
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07/12/2009
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05 DEZEMBRO - DIÁRI DO AMAPÁ
COMO NUVENS.
Anteontem José Serra e Aécio Neves ocuparam o horário eleitoral gratuito na televisão com o objetivo único de campanha eleitoral 2010. Para muitos “observadores” o que se viu na tela e por trás das câmeras foi o esboço mal feito do que será a campanha eleitoral de um partido político que tem que se apresentar como “salvador da pátria”, já que de mudança não pode falar.
A aparição de ambos os pré-candidatos tucanos pareceu um esboço mal feito de campanha eleitoral porque confirmou a indefinição sobre qual deles será o candidato principal, ou pior ainda: ambos são os candidatos do PSDB – chapa puro-sangue.
Em mãos do PSDB a unilateralidade da chapa é tão somente retomar a tese do Ministro Sérgio Mota, das Comunicações (Serjão), segundo a qual é de 25 anos corridos o projeto de poder dos “sociais democratas”. Temporalmente o “projeto vinte e cinco anos” é um “chavismo” à brasileira.
José Serra adotou um discurso positivista no programa de televisão de anteontem, algo que realmente salvaria a pátria se pudesse ser realidade nacional. Contudo, outra vez José Serra conseguiu mostrar-se mais paulista que brasileiro gravando suas imagens em ambientes requintados de São Paulo como se tudo lá e no Brasil tivesse se transformado em referencias de sua gestão no Ministério da Saúde. Que foi boa, reconheça-se.
José e Aécio não puderam falar em mudança simplesmente porque durante os últimos sete anos desgastou-se o PSDB acusando o PT e Lula de “continuísmo” ao que teria sido o governo FHC. Anos perdidos pelos tucanos reconhecendo os acertos de Lula como “roubados” a Fernando Henrique. Agora é mudar o quê: a “receita” deles executada por Lula?
Pelo que se vê, aqui no Amapá sopra-se no mesmo diapasão: tudo, todos e todas convergiram sete anos para o projeto de governo do PDT, muitíssimo bem interpretado pelo governador Waldez Góes. Como, agora, insurgir-se contra o “projeto de poder” do grupão?
Insurreição é, então, abrir o flanco para mais uma eleição plebiscitária entre Capi e os “outros”. Logo, atenção para o espelho grande da sala que pode já estar refletindo a realidade de que não é líder popular nem Pedro Paulo nem Jorge Amanajás nem Lucas Barreto. Vem aí a terceira via ou um ou cada um dos três conta escorar na liderança de Capiberibe para ganhar a chave do Setentrião? O Dep. Ulysses Guimarães dizia sempre que a saliva é o combustível do político.
Por ora, Lula, Fernando Henrique e Waldez são lideres de um processo pré-eleitoral que vai findando 2009 de um jeito, mas que vai romper 2010 de outro... como nuvem.
Notas: ¹-Falando sozinho de novo vovô? Perguntou-me Leleca ouvindo-me quase às gargalhadas no banheiro. Realmente não me contive ouvindo o “carnavalesco” Luiz Melo lançando no ar o seu grito de guerra aos brincantes do Rolará, cujo tema 2010 parece ser o Programa Luiz Melo Entrevista. Gritava Luiz Melo animando a turma: DESEMBUCHA!!!
Olho no Melo, heim presidente Vicente Cruz! Alô Nação Negra – Chegou a hora – Atenção meu povo da arquitibancada... só tem dado para vice campeonato. Olho no Melo, heim!? ²-Feliz Natal à família amapaense. ³-Feliz Natal aos colaboradores da crechinha do Zerão: valeu mais uma ano de generosidade.
Escrito por César Bernardo de Souza às 13h59
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30/11/2009
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29 NOV. JOSÉ SARNEY
Social e caoscracia
José Sarney
Da equipe de articulistas
Li alguma vez em Bobbio - o grande cientista político do século 20 - que ele não sabia exatamente o que era social-democracia. Para os bolchevistas era anterior ao comunismo. Depois seria uma espécie de terceira via, uma alternativa ao comunismo. Desaparecendo essas circunstâncias históricas, e com o fim das ideologias, a social-democracia passou a ser assim uma espécie de pau d'arco roxo, aquele remédio que servia para tudo, independentemente do diagnóstico, e consistia em terapia milagrosa. Marco Maciel, citando sua preocupação em pensar com antecedência nas nossas datas históricas redondas, no caso os 200 anos da Independência, 2022, recorda Drummond, que reclamava que ninguém mais se dizia republicano, e sim democrata. Eu nunca encontrei um social-democrata que me dissesse: "Joaquim Maria Francisco de Oliveira, social-democrata". A distância do que dizia Bobbio para a realidade atual é que a social-democracia, sem existir, é marca registrada de todos. A Europa se orgulha de ser social-democrata, a Rússia vive ainda a sua crise de identidade e a América do Sul não é nada, incluindo nessa definição o socia-lismo bolivariano de Chávez, no mínimo mais para surrealismo do que para política. Outra coisa que ninguém sabe é o que é o peronismo. E, contudo, ele já resiste a meio século e todo dia nasce peronista na Argentina. Fernando Henrique, há alguns anos, fugindo da saraivada dos ataques de que se tornara neoli-beral, saiu, brilhantemente, com esta afirmação: "Nada disso, eu sou neossocial". E haja como decifrar esse selo. Tomei a pachorra de procurar a palavra social nas dezenas de siglas partidárias brasileiras, e em quase todas está presente, explícita ou oculta. Lembrei-me de uma conversa que tive com o ge-neral Golbery do Couto e Silva quando falamos em abertura, à procura de conceitos. Disse-lhe que poderíamos resumir na "volta ao Estado social de Direito". Ele me contestou: "E o que é isso, social de direito?". Tentei explicar-lhe que o Estado de Direito era o império da lei, mas que, com o avanço das ideologias -e naquele tempo elas estavam com tudo-, tínhamos que ter leis que protegessem o social, privilegiasse os mais pobres, uma ingerência do Estado contra as desigualdades. Ele me disse que isso era muito sofisticado, com uma resposta precisa: "Resuma: welfare state?". "OK. Sim". Golbery voltou: "Então para que complicar com esse direito no meio?". Hoje, tudo mudou. A América Latina se move ou se contorce? Bolívia, Equador, Paraguai, Honduras, Colômbia, Venezuela estão em busca de quê? Social-democracia, caoscracia ou sobrevivência? Só ressuscitando Bobbio para dizer.
José Sarney
Ex-presidente do Brasil, senador pelo PMDB-AP, presidente do Congresso Nacional e acadêmico da Academia Brasileia de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa
E-mail: sarney@senador.gov.br
Escrito por César Bernardo de Souza às 20h28
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28/11/2009
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28DE NOV. DIARIO DO AMAPÁ
Território de paz
César bernardo de Souza
Da equipe de articulistas
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) está de roupa nova, como aliás convém ao processo educacional. Está fácil dizermos que o ano de 2009 foi bom para a Educação brasileira porque o Congresso Nacional olhou para ela, percebendo-a carente de " novos trajes".
Nesses termos, a Escola começará o ano de 2010 fortalecida como "território de paz", na expectativa de efetivo combate à violência intra-muro. Incorpora-se, então, nos princípios do ensino a "superação de todas as formas de violência, internas e externas à escola, na pers-pectiva de construção de uma cultura de paz".
Mais do que isso, inclui pais e alunos na elaboração do projeto pedagógico da escola, além de reservar efetivamente um terço da carga horária dos profissionais da educação no planejamento. Não mais apenas os professores, mas os profissionais da educação: é novo!
Realmente renovada a LDB manda que os estabele-cimentos de ensino divulguem as listas de material escolar 45 dias antes da data final para matrícula. Eis um cuidado a muito devido aos pais, ricos ou remediados.
Ela vem disciplinando o trabalho de crianças e adolescentes como atores e modelos, segundo o texto aprovado a autorização concedida pelos detentores do poder familiar deixará de ser válida se for descumprida a freqüência escolar mínima estabelecida em lei.
Olha com mais suavidade o professor na medida em que dá prioridade a tais ícones da educação no recebimento de devolução do Imposto de Renda de Pessoa Física. Pelo menos isso, já que resolver a questão salarial do professorado não é tarefa para governos comuns como os que temos tido.
A nova LDB finalmente inovou ao encarar de frente o processo de revalidação de diplomas expedidos a brasileiros por universidades estrangeiras, unificando em seis meses o prazo para que as universidades se pronunciem sobre processos de revalidação e reconhecimento desses diplomas.
Tudo isso converge para a defesa da gestão democrática do ensino através da valorização dos conselhos escolares ou órgãos deliberativos equivalentes, inclusive prevendo entre os profissionais da educação atuantes na escola (o retorno?), a figura de um encarregado da disciplina dos estudantes fora das salas de aula. Esses inspetores de alunos tratarão de problemas da violência escolar e farão a mediação dos conflitos internos e externos.
Aí está um resultado muito positivo de parte dos trabalhos dos congressistas nacionais no ano de 2009: a Educação tem que ser prioridade.
Contudo paira no ar algo inquietante - se não conflitante - com a Escola Território de Paz: O Estatuto da Criança e do Adolescente -ECA . Porque ainda que não determine, deriva dele a interpretação de intocabilidade e impunidade que se vem dando ao molecório que a escola luta para tratar como educandos, pelo menos dentro dos seus muros.
Notas: ¹-Dia 5 próximo a Igreja de Guadalupe comemora 15 anos de evangelização da comunidade do Bairro Jardim Marco Zero. Dia 13 encerra a programação com festa comunitária. ²-Waldez nada disse. Jorge Amanajás disse que não. Mas está claro que a derrubada de vetos não sinaliza "harmonia" entre os dois poderes, embora seja missão do Legislativo fiscalizar o Executivo. ³-Saúde ao Senador José Sarney. 4-Parabéns à Profª. Nair Miranda pelos seus belos 85 anos. Tomei vinho com ela.
César Bernardo de Souza
Articulista
E-mail: cesarbernardosouza@bol.com.br
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