O OURO NEGRO DA AMAZÔNIA (AMAPÁ)
No âmbito do bioma amazônico, a floresta densa de terra firme tem a maior representatividade, reproduzindo-se no Estado do Amapá com 74,58% de cobertura do território amapaense (Macrodiagnóstico do Estado do Amapá-2002).
Vista de fora, a floresta densa de terra firme do Amapá transmite ao observador a aparência de uniformidade, quando na verdade apresenta diferenciações internas, em alguns casos capazes de “tipificar” espacialmente a floresta. Dentre essas diferenciações chama a atenção hoje – valor econômico – os sítios naturais de açaí (Euterpe oleraecae Mart) ocorrendo na extensão do maciço florestal, porem, ligados a povoações de fundo de vales e margens de pequenos rios, igarapés e outros mananciais,
Que, os “alimentam” com águas permanentes ou de acumulação pluvial.
Nessas condições formam-se os popularmente conhecidos grotões, grotas, baixios, quase sempre coincidentes com ocorrências de nascentes fluviais.
Sabendo-se que a maior parte da floresta densa de terra firme no Amapá
Localiza-se sobre terrenos movimentados, infere-se que são numerosas as
“linhas” de\drenagens permanentes que, no geral, significam “condições favoráveis” ao estabelecimento de populações naturais de açaí. Mas não é
só isso, também são extensos os maciços florestais de várzea, paisagem que domina todo o espaço amazônico ribeirinho desde a foz do Rio Amazonas no oceano Atlântico até a foz do rio Jarí no Amazonas.
Esses maciços florestais também comunicam uniformidade fisionômico de fora para dentro, mas estratificados conforme o porte de suas árvores e a ocorrência de palmeiras. São vastamente recortados por intrincada rede de drenagem, cujas águas ricas em sedimentos argilosos em suspensão aportam enormes quantidades de materiais disponíveis para a “formação” da várzea alta e baixa, que concorrem para a formação desses ambientes, propícios ao surgimento e a manutenção natural de grandes açaizais.
O açaí (Euterpe Oleraceae Mart.) é a palmeira de maior destaque em importância socioeconômica nas várzeas que ocorrem ao longo do rio Amazonas e afluentes, sobretudo nas localizadas em áreas de influência flúvio-marinha (como as várzeas da costa amapaense e do estuário amazônico). Possivelmente, sua utilização pelos ribeirinhos remonta os tempos pré-colombianos. Os frutos do açaizeiro têm servido de base de alimentação para milhares de pessoas, in natura ou em forma de vinho, contribuindo para manter a população local longe do estado famélico que caracteriza as populações rurais de outras regiões do País, apesar da pobreza latente do interior amazônico.
O açaí processado e congelado é comercializado para os grandes centros consumidores do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, e já se prepara para exportar para outros países, como Austrália, Suíça e Estados Unidos. O açaí é uma das principais fontes de renda para as comunidades ribeirinhas da Amazônia.
Outro produto do açaizeiro bastante demandado é o palmito, cujo destino é abastecer os supermercados das grandes cidades. A crescente procura por marreteiros (comerciantes ambulantes que visitam as comunidades do interior da floresta periodicamente), que suprem as fábricas de beneficiamento, aliada à falta de informação dos ribeirinhos, tem diminuído os estoques de açaí a ponto de desencadear distúrbios no padrão de vida de
algumas comunidades que exploram a palmeira.
O histórico dos planos de manejo de açaizais nativos tem mostrado a predominância de planejamentos voltados quase que exclusivamente para o
aproveitamento do palmito.
Mesmo em regime comunitário, os planos de manejo de açaizais resumem-se em operações de plantio, condução da regeneração natural, corte das palmeiras selecionadas e transporte da matéria-prima até as fábricas. A extração dos frutos, por ser uma atividade bastante corriqueira e sem danos aparentes ao meio ambiente, não justificaria a apresentação de um plano ao Ibama, com todas as exigências burocráticas.
A utilização dos frutos é mais vantajosa para os ribeirinhos - tanto econômica quanto social e ecologicamente - do que o uso do palmito. Com o corte de 1.000 cabeças de palmito (as pontas dos estipes), a uma média de R$ 0,25 por cabeça, o caboclo pode obter R$ 250,00 - aproveitando o estipe uma só vez, ao contrário do que acontece na extração do fruto. Estudos têm apontado que o manejo florestal pode aumentar a produção de frutos em até 30%, gerando uma renda bruta média de R$ 470,00 mensais (estimativa oriunda de experiências realizadas em comunidades ribeirinhas do município de Gurupá). Nestes valores já está incluída a venda do palmito retirado daqueles estipes mais velhos e com a produtividade em declínio, que no manejo são abatidos para a maior entrada de luz na mata. Os custos são mínimos. Tal receita está acima da média de municípios como Gurupá, onde o sindicato dos trabalhadores rurais calcula uma renda média mensal familiar de dois salários mínimos.
Ecologicamente, o manejo florestal preferencial aos frutos de açaí é benéfico por manter uma quantidade bem maior de estipes na área, sem forçar a resiliência (capacidade de recuperação) da floresta, o que não ocorre em casos de manejo exclusivo para palmito. Garante também a alimentação de pássaros e mamíferos e evita maior incidência de plantas invasoras e espinhosas. Finalmente, nos aspectos sociais, o aumento da produção de frutos e de vinho é uma segurança para a subsistência das comunidades.
Um blog onde voce e eu poderemos discutir aspectos, fatos e opiniões sobre a vida cotidiana do Estado do Amapá. Difundiremos aqui os artigos de nossa autoria já publicados, novos artigos e, contos, poesias e fotografias legendadas sobre cenários sócios-naturais do Estado do Amapá
terça-feira, 6 de março de 2007
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
A expectativa com abrimos este blog é das melhores, uma vez que objetivamos publicar aqui artigos jornalísticos que antes publicávamos em jornais locais (mais de 1500 mil já publicados), além de contos e poesias que ousamos um dia escrever. Regularmente haveremos de publicar fotografias diretamente relacionadas com a antropolgia e cenarios naturais do estado do Amapá e, a elas acrescentar legendas expandidas, de sorte a satisfazer a curiosidade dos estudantes e de pessoas que desejam, mas ainda nao conseguiram visitar o Amapá.
Especialmente consagraremos aqui, neste espaço, as nossas próprias opiniões sobre o cotidiano político, social e econômico-admnistrativo amapaense. Questões ambientais - as mais diversas possiveis - receberão tratamento prioritário neste blog, especialmente porque somos um rico espaço amazônico e, coincidentemente, militamos profissionalmenmte nesta area do conhecimento humano há mais de vinte anos, tendo por referência a experiencia e o saber que acumulamos nos anos de trabalho e de pesquisa no Instituto de Estudos e Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá - Iepa.
Não temos nenhuma habilidade técnica aplicada ao manuseio de blog's e afins, mas logo buscaremos o devido auxilio para melhor nos apresentarmos aos eventuais "visitantes" que viermos a ter.
Artigo:
A CARTA QUE RECEBI COM PEDIDO DE PUBLICAÇÃO.
(De um profissional da Sistema de Saúde do Estado)
A saúde é o maior bem que o ser humano tem. É um presente de Deus, e só quem a tem perfeita sabe o quanto é feliz. O contrario o sabe quem padece de qualquer enfermidade. Sendo tão fundamental para todos nós, é dever e obrigação dos nossos governantes facilitar e encurtar caminhos para a cura das doenças que nos afligem. Hoje vivemos uma situação muito complicada no Sistema de Saúde em nosso estado, seja nos hospitais do estado seja nos postos de saúde da Prefeitura de nossa capital.
É chegada a hora de uma verdadeira batalha unindo as esferas federal, estadual e municipal, com apoio do poder legislativo e judiciário para termos uma prestação de serviço de saúde digna do nosso povo. Não podemos admitir tamanha falta de compromisso em bom senso de nossos lideres. É preciso maior empenho maior qualificação e menos corrupção. Assim teremos como resolver esta grave crise.
Nos Postos de Saúde é fundamental ter uma equipe multidisciplinar para atender e orientar a população, porém, sem remédios, exames laboratoriais e métodos de diagnostico por imagem nada se resolve até porque, quando têm são poucos e demorados. Não é admissível que um cidadão não possa realizar pequenos procedimentos em um Posto de Saúde ou usar medicações simples, e termos em conseqüência o Pronto Socorro menos superlotado. A maioria das pessoas que procuram hoje o Pronto Socorro Oswaldo Cruz teria seus problemas resolvidos em uma Unidade Básica de Saúde bem equipada.
Não se pode admitir tantas adolescentes grávidas por falta de informação ou mesmo falta de anticoncepcional, tantas mulheres com muitos filhos porque não conseguem realizar LTB no HMM, mulheres morrendo por câncer de mama e colo de útero por dificuldade de diagnostico ou demora do mesmo, e até por demora no inicio do tratamento. Não se pode admitir mulheres com patologias cirúrgicas aguardando meses para serem operadas.
É chagada a hora da grande reviravolta na saúde, hora de pensar mais na população e menos na ambição de poucos, hora de presentear a população com esse bem maior, que é a vida. É chagada a hora dos vereadores e deputados terem maior poder de fiscalização e cobrança em cima dos governantes.
Tenho certeza de que se o Poder Público fizer a sua parte, nós, profissionais de saúde - que já cumprimos diariamente a nossa parte - teremos mais empenho e melhores condições de ajudar a quem precisa.
É claro que tivemos avanços, alguns, porém, ficaram na estrada e hoje são apenas lembranças. Mas, ainda é tempo de mudar e melhorar: não podemos mais ter apenas um Pronto Socorro, uma Maternidade – O Amapá não é o mesmo de vinte ou 30 anos atrás, cresceu e muito.
E o Hospital do Câncer? E a Central de Regulação de Leitos? E a Residência Médica? Central de Transplante? UTI e videolaparoscopia no HMML? Temos que pensar logo, agir logo, pensar grande e com eficiência, sem o quê, o pior pode acontecer.
A critica não é para derrubar e sim alertar, despertar. Com isso mudar o rumo desta história, beneficiar realmente quem merece – que é a população carente e sofrida de nosso estado. Acredito que o nosso governador está sensível a tudo isso e tem capacidade de mudar, pois se melhorar a saúde em nosso estado sempre será lembrado por todos e receberá, com certeza, o respeito e a gratidão de nossa população.
Especialmente consagraremos aqui, neste espaço, as nossas próprias opiniões sobre o cotidiano político, social e econômico-admnistrativo amapaense. Questões ambientais - as mais diversas possiveis - receberão tratamento prioritário neste blog, especialmente porque somos um rico espaço amazônico e, coincidentemente, militamos profissionalmenmte nesta area do conhecimento humano há mais de vinte anos, tendo por referência a experiencia e o saber que acumulamos nos anos de trabalho e de pesquisa no Instituto de Estudos e Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá - Iepa.
Não temos nenhuma habilidade técnica aplicada ao manuseio de blog's e afins, mas logo buscaremos o devido auxilio para melhor nos apresentarmos aos eventuais "visitantes" que viermos a ter.
Artigo:
A CARTA QUE RECEBI COM PEDIDO DE PUBLICAÇÃO.
(De um profissional da Sistema de Saúde do Estado)
A saúde é o maior bem que o ser humano tem. É um presente de Deus, e só quem a tem perfeita sabe o quanto é feliz. O contrario o sabe quem padece de qualquer enfermidade. Sendo tão fundamental para todos nós, é dever e obrigação dos nossos governantes facilitar e encurtar caminhos para a cura das doenças que nos afligem. Hoje vivemos uma situação muito complicada no Sistema de Saúde em nosso estado, seja nos hospitais do estado seja nos postos de saúde da Prefeitura de nossa capital.
É chegada a hora de uma verdadeira batalha unindo as esferas federal, estadual e municipal, com apoio do poder legislativo e judiciário para termos uma prestação de serviço de saúde digna do nosso povo. Não podemos admitir tamanha falta de compromisso em bom senso de nossos lideres. É preciso maior empenho maior qualificação e menos corrupção. Assim teremos como resolver esta grave crise.
Nos Postos de Saúde é fundamental ter uma equipe multidisciplinar para atender e orientar a população, porém, sem remédios, exames laboratoriais e métodos de diagnostico por imagem nada se resolve até porque, quando têm são poucos e demorados. Não é admissível que um cidadão não possa realizar pequenos procedimentos em um Posto de Saúde ou usar medicações simples, e termos em conseqüência o Pronto Socorro menos superlotado. A maioria das pessoas que procuram hoje o Pronto Socorro Oswaldo Cruz teria seus problemas resolvidos em uma Unidade Básica de Saúde bem equipada.
Não se pode admitir tantas adolescentes grávidas por falta de informação ou mesmo falta de anticoncepcional, tantas mulheres com muitos filhos porque não conseguem realizar LTB no HMM, mulheres morrendo por câncer de mama e colo de útero por dificuldade de diagnostico ou demora do mesmo, e até por demora no inicio do tratamento. Não se pode admitir mulheres com patologias cirúrgicas aguardando meses para serem operadas.
É chagada a hora da grande reviravolta na saúde, hora de pensar mais na população e menos na ambição de poucos, hora de presentear a população com esse bem maior, que é a vida. É chagada a hora dos vereadores e deputados terem maior poder de fiscalização e cobrança em cima dos governantes.
Tenho certeza de que se o Poder Público fizer a sua parte, nós, profissionais de saúde - que já cumprimos diariamente a nossa parte - teremos mais empenho e melhores condições de ajudar a quem precisa.
É claro que tivemos avanços, alguns, porém, ficaram na estrada e hoje são apenas lembranças. Mas, ainda é tempo de mudar e melhorar: não podemos mais ter apenas um Pronto Socorro, uma Maternidade – O Amapá não é o mesmo de vinte ou 30 anos atrás, cresceu e muito.
E o Hospital do Câncer? E a Central de Regulação de Leitos? E a Residência Médica? Central de Transplante? UTI e videolaparoscopia no HMML? Temos que pensar logo, agir logo, pensar grande e com eficiência, sem o quê, o pior pode acontecer.
A critica não é para derrubar e sim alertar, despertar. Com isso mudar o rumo desta história, beneficiar realmente quem merece – que é a população carente e sofrida de nosso estado. Acredito que o nosso governador está sensível a tudo isso e tem capacidade de mudar, pois se melhorar a saúde em nosso estado sempre será lembrado por todos e receberá, com certeza, o respeito e a gratidão de nossa população.
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